18/09/10
Entre o Olhar e o Coração
Entre o olhar e o coração há um pacto distinto
bem servir um ao outro.
Quando para ver-te o olhar está faminto, ou a
suspirar de amor o coração se afoga, o olhar desfruta
o retrato de meu amor.
E o coração ao banquete convida e o olhar a tomar
parte é convidado.
Assim, por meu amor ou a tua imagem, és sempre
presente ainda que distante, pois não podes do
pensar ir mais além se estou com ele em ti a todo
o instante.
Se adormecem, a tua imagem na minha visão desperta
ao deleite vista e coração.
17/09/10
Soneto " William Shakespeare "
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
15/09/10
Para Sempre Mâe
Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga
quando sopra o vento e a chuva desaba.
Veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar
vestígio. Mãe, na sua graça é eternidade.
Porque deus se lembra " mistério profundo " de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre junto do seu filho e ele, velho embora,
será pequenino feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
( A ti te dedico minha Mãe! )
13/09/10
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo.Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso.
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
11/09/10
LÁGRIMAS OCULTAS
Lágrimas Ocultas
Parece-me que foi numa outra vida ...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago ...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim ...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
( Florbela Espanca )
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas, Parece-me que foi numa outra vida ...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago ...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim ...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
( Florbela Espanca )
05/09/10
Os sacrificios criam laços eternos.
Por que é que os meus filhos não são para mim o mesmo que as outras crianças? Não é apenas por serem do meu sangue; é, principalmente, porque me desgastei imenso para os tornar saudáveis, fortes, íntegros; porque cuidei deles; porque tive paciência; porque passei algumas noites sem dormir; porque me afligi, me preocupei e chorei. Há tanto de mim naquilo que eles são que, de algum modo, vivo neles e a sua vida é a minha vida.São a minha razão de viver.
10/08/10
POR TEU AMOR
O meu poema tem corpo alma e voz.
Tem todas aquelas coisas que te dei.
Que nas palavras sentidas falo de nós
e tu sabes que me escrevo como sei ainda
que teu nome eu abrace a sós.
O meu poema tem o rosto e a imagem de tudo
o que encontras quando vens.
Com tua boca deixar o corpo na viagem das
palavras onde estás, onde me tens, igual ao
que sou nesta terra selvagem.
O amor não tem muito mais que poesia.
Que mesmo no silêncio a alma respira o perfume
de um poema que nos sacia com um sentir que nos
toca e suspira para mostrar outro mundo em cada dia.
No meu poema não cai o esquecimento que já o todo
se ergue para arrebatar a mão que escreve no doce momento
em que me encontras com o teu olhar e pôes no coração
todo esse sentimento.
Se no quebrar da onda o mar te deixar, o poeta com o seu
canto de emoções terás o ser que nasceu para te abraçar,
e contigo ficar em sublimes sensações a devorar os dias
no desejo de te amar.
No meu poema a inspiração já se deitou.
No quarto onde temos só uma janela, que abrindo,
a lua entra, porque te dou o beijo da palavra, e o que
sobra dela sempre que me queiras tal como eu sou.
Tem todas aquelas coisas que te dei.
Que nas palavras sentidas falo de nós
e tu sabes que me escrevo como sei ainda
que teu nome eu abrace a sós.
O meu poema tem o rosto e a imagem de tudo
o que encontras quando vens.
Com tua boca deixar o corpo na viagem das
palavras onde estás, onde me tens, igual ao
que sou nesta terra selvagem.
O amor não tem muito mais que poesia.
Que mesmo no silêncio a alma respira o perfume
de um poema que nos sacia com um sentir que nos
toca e suspira para mostrar outro mundo em cada dia.
No meu poema não cai o esquecimento que já o todo
se ergue para arrebatar a mão que escreve no doce momento
em que me encontras com o teu olhar e pôes no coração
todo esse sentimento.
Se no quebrar da onda o mar te deixar, o poeta com o seu
canto de emoções terás o ser que nasceu para te abraçar,
e contigo ficar em sublimes sensações a devorar os dias
no desejo de te amar.
No meu poema a inspiração já se deitou.
No quarto onde temos só uma janela, que abrindo,
a lua entra, porque te dou o beijo da palavra, e o que
sobra dela sempre que me queiras tal como eu sou.
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