28/12/12
27/12/12
Não sei, amor, sequer, se te consinto
Não sei, amor, sequer, se te consinto
ou se te inventas, brilhas, adormeces
nas palavras sem carne em que te minto
a verdade intimida em que me esqueces.
Não sei, amor, se as lavas do vulcão
nos lavam, veras, ou se trocam tintas
dos olhos ao cabelo ou coração
de tudo e de ti mesma. Não que sintas
outra coisa de mais que nos feneça;
mas só não sei, amor, se tu não sabes
que sei de certo a malha que nos teça,
o vento que nos leves ou nos traves,
a mão que te nos dê ou te nos peça,
o princípio de sol que nos acabes.
Pedro Tamen
O Infante
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
E a orla branca foi de ilha a continente
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente
surgir, redonda, do azul profundo
Quem te sagrou criou-te português
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa
23/12/12
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