21/02/17

Onde está ?



Onde fostes Alma mia,
para que tão belos prodígios se aninharam
brotando-te sonhos de ilusões
que instam a Alma ir à pós de trilhas
e sendeiros luminosos nunca percorridos?


Encontrastes nestas paragens de luz
graciosas conversas que brilham como estrelas,
que arrebatamento elevou teu ser nestes caminhos luminosos?



Que Luz guia a Alma para entrar no Templo do Saber
que olham desconcertados os Seres,
os astros e luzes que giram em mágico concerto
pela Mão invisível que tudo apresenta a dizer e compreender?


A Alma se ilusiona para fundir-se na Luz
que brilha na Eternidade extraindo de suas melodias
os Segredos guardados nas profundezas da alma.


Qual é o mistério que ali conduz
para beber na Fonte do Saber,
a Fonte das Águas Eternas
que elevam a Alma em gozo Celestial?


Onde está o Caminho que guia a Alma
ao Fogo e Luz do Eterno e Sublime Ser?



Celeste Cristal

Estrela Guia


Desde os briosos cumes da juventude,
aparecestes no horizonte da minha vida.
Esplendorosa luz como a Estrela da Manhã,
tua fulgurante luz tocou meu ser.
Convertendo-te na minha Estrela Guia.
Quantas vezes meu céu se cobriu de nuvens,
perdendo a rota do caminho,
quantas vezes implorei, orei e te chamei,
mais não acudistes ao meu clamor.

No passar dos anos tua santa presença,
foi sentida mais não tocada,
guiando meus passos.
Hoje no ocaso da vida, novamente surges.
irradiando tua luz que inundou meu ser.
Se alguém perguntasse:
aonde vás peregrino?

Responderei: Não o sei,
somente sigo minha Estrela Guia,
que me levará a Ti, Meu Senhor,
para encontrar a Luz,
e Tua Paz que encobre a Eternidade.

Por Celeste Cristal

26/01/17

Oh! Chama de amor viva




“Oh! Chama de amor viva

que ternamente feres

De minha alma no mais profundo centro!

Pois não és mais esquiva,

Acaba já, se queres,

Ah! Rompe a tela deste doce encontro.


Oh! Cautério suave!

Oh! Regalada chaga!

Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado

Que a vida eterna sabe,

E paga toda dívida!

Matando, a morte em vida me hás trocado.

Oh! Lâmpadas de fogo

Em cujos resplendores

As profundas cavernas do sentido,

– que estava escuro e cego, –

Com estranhos primores

Calor e luz dão junto a seu Querido!


Oh! Quão manso e amoroso

Despertas em meu seio

Onde tu só secretamente moras:

Nesse aspirar gostoso,

De bens e glória cheio,

Quão delicadamente me enamoras!”

São Joao da Cruz

FIZ A CAMA DE AÇUCENAS





Fiz a cama de açucenas
macias como o cetim
os lençóis eram poemas
guardados dentro de mim
vesti rosas de toucar
nos cabelos meti laços
nem vi o dia chegar
esquecida nos teus braços


No tapete feito de heras
sulcados de margaridas
floriam primaveras
a perfumar nossas vidas
misturei flores e beijos
num fio ao meu pescoço
dei asas aos meus desejos
loucuras dum sonho moço


Mudaram-se as estações
murcharam as açucenas
mas nos nosso corações
nasceram novos poemas
despi rosas desfiz laços
guardei a minha saudade
só presa nos teus abraços
me sinto em liberdade


Alice Queiroz

GIGANTES E ANÕES




Donde vimos para onde vamos
o que somos pouco importa
importa se na passagem
algo de bom semeamos
durante a nossa viagem


Escondemos sentimentos
guardamos dentro de nós
alguns sonhos pertinentes
que se fossemos diferentes
ganhariam corpo e voz


Julgamos ser importantes
mas em tantas ocasiões
somos medrosos distantes
deixamos de ser gigantes
somos apenas anões


Precisamos uns dos outros
todos nós somos iguais
neste mundo de loucos
mesmo juntos somos poucos
e o mundo grande demais

Alice Queiroz

A Beleza é uma Construção Cerebral.




A beleza consome e dá de consumo, 
vem de um lado que ninguém conhece, 
constrói-se com os minutos, com o tempo de degustação,
há pessoas que foram ficando bonitas pela repetição, 
vamo-las vendo e vamos percebendo traços novos, 
traços diferentes, como se o rosto tivesse vários rostos em si 
uma matrioska estética, temos vários rostos no nosso, 
ou vários olhares no que olhamos,
a beleza é um processo de inteligência 
uma construção cerebral.

Pedro Freitas Chagas

18/11/16

Lágrimas ocultas


     Florbela Espanca


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!