26/04/10

Seus Olhos


Seus Olhos, se eu sei pintar o que os meus olhos cegou,

Não tinham luz de brilhar,

Era chama de queimar;

E o fogo que a ateou, vivaz, eterno, divino,

Como facho do destino


Divino, eterno! e suave ao mesmo tempo; mas grave

E de tão fatal poder,

Que num só momento que a vi,

Queimar toda a alma senti...

Nem ficou mais de meu ser, senão a cinza em que ardi.


ALMEIDA GARRETT