Procura-se quem abrace com o coração,
não só com os braços.
Quem sinta a ausência como se fosse saudade antiga, mesmo que o outro esteja do lado.
Quem saiba cuidar do que é sagrado:
O tempo, o afeto, o silêncio partilhado.
Gente que enxugue lágrimas com os dedos da alma.
Que não tenha pressa para curar,
nem medo de se ferir de novo.
Que compreenda que o amor não é perfeição, mas presença, imperfeita, mas inteira.
Procura-se quem fique quando o riso faltar,
quando a pele não chamar mais como antes,
quando o mundo parecer pesado demais.
Quem olhe e diga:
“Eu te reconheço,
mesmo no teu pior.”
Procura-se, talvez, alguém que o tempo esqueceu de apagar…
Ou alguém tão raro que, ao ser encontrado,
seja como um sopro de eternidade
resistindo à pressa e ao ruído dos dias.
Carlos Cabrita





