03/12/11
Época Natalícia
Não existe o natal ideal, só o natal que cada um nós decide criar como reflexo
dos nossos valores, desejos e tradições...
E todos estes pedidos que estão colocados nesta árvore são os desejos principais para nos sentirmos felizes e realizados.
Fantástica publicidade at&t de telemóveis
Pinturas extraordinárias de mãos para publicidade de uma operadora amaricana.
02/12/11
O Mar...O Sol...A Brisa...
O Mar me transporta para além
do seu infinito lugar
O Sol me abraça nos seus quentes
raios de afecto
A Brisa me envolve no seu explendor cheiro
a sentidos puros de prazer
São trés estes desejos que me envolvem
numa dança fernética da cabeça aos pés.
Nanda
.
01/12/11
Encontro
A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.
Intervalo
" Um grande escritor de todos os tempos"
Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?
Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não o sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?
Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei?
Seja o que for, quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?
Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca —
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca.
Fernando Pessoa,
30/11/11
A Voz
É na voz que o sentimento
aflora a harmoniosa emoção
e faz viajar o pensamento
abrindo a alma e o coração
Os Sonhos
O canto que vem da nossa alma
É antigo, é ritual e é profundo;
é anterior ao começo do mundo
O canto que vem da nossa alma.
A vida é tão simples na visão dos Deuses
Só é complicada para toda a humanidade;
Vivemos num gueto chamado sociedade
A vida é tão simples na visão dos Deuses
Os sonhos são bons para os que ainda sonham
No caso concreto quando foi, já não me lembro;
Talvez fosse em Abril, talvez fosse em Setembro
Os sonhos são bons para os que sonham.
Fernando Girão
Formas de Amar
Depois de uma noite de amoronde o prazer e a dor
tiveram o justo lugar
Olho para ti e adormeço
Pensando que nada é comparável
ao fogo da nossa paixão
a nossa forma de amar
A ternura, a malícia, o carinho e o tesão
misturam-se no mesmo momento
eu aos Deuses agradeço quererem
que seja teu
Dou-me a ti sem fachadas, sem véus
sem disfarces
Dou-te exactamente aquilo que sou
O jogo do amor que jogo contigo é aberto
sem truques, sem mentiras
eu jogo limpo, pois é assim que quero
pois tanto de ti eu espero
que não quero defraudar-te
Tu para mim és a arte, és bondade
és firmeza.
Só tu me das a certeza que eu
não vejo em mais ninguém
É verdade,
ninguém antes de ti conseguiu que eu mudasse
Eu conjugava o verbo amar
de uma maneira errada;
pensava e perguntava
se meu esforço valeria a pena.
Agora eu passo as madrugadas
inventando-te poemas.
Fernando Girão
29/11/11
Pura Inocência
A vida é tão diferente
Daquilo que sonhamos
Talvez o nosso mal seja acordar
Sai o meu futuro
P'ra lá do firmamento
Agora não consigo lá chegar
Estou a sentir;
A minha voz perdida no deserto
E eu sou quem diz
Que a vida deixa sempre a porta aberta
P'ra que eu possa lá entrar
E quem sabe regressar
À mais pura inocência
A vida é tão diferente
Dos sonhos que lembramos
Eu sei que o nosso mal é recordar
Vi o teu futuro
Pra lá do nosso tempo
Agora não consigo lá voltar
Tou a sentir;
A minha voz perdida no deserto
E eu sou quem diz
Que a vida deixa sempre a porta aberta
P'ra que eu possa lá entrar
E quem sabe encontrar
A mais pura inocência
Letra de Miguel Gameiro
28/11/11
Sem morte não há vida
A vida é dialética, e por isso não é lógica. A lógica significa que o oposto é realmente oposto, e a vida sempre implica o oposto em si mesmo.
Na vida, o oposto não é realmente oposto, mas complementar. Sem ele, nada é possível. Por exemplo, a vida existe por causa da morte. Se não houvesse morte, não poderia haver vida.
A morte não é o fim e não é inimiga; pelo contrário, por causa da morte, a vida se torna possível. Assim, a morte não está em algum lugar no final; ela está presente aqui e agora.
Cada momento tem sua vida e sua morte; senão, a vida seria impossível.
Osho
Na vida, o oposto não é realmente oposto, mas complementar. Sem ele, nada é possível. Por exemplo, a vida existe por causa da morte. Se não houvesse morte, não poderia haver vida.
A morte não é o fim e não é inimiga; pelo contrário, por causa da morte, a vida se torna possível. Assim, a morte não está em algum lugar no final; ela está presente aqui e agora.
Cada momento tem sua vida e sua morte; senão, a vida seria impossível.
Osho
27/11/11
A Mulher Madura
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estagnada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objectos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a subtileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de Setembro e Abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, descodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrou tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o voo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas acções nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.
Affonso Sant'Anna
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objectos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a subtileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de Setembro e Abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, descodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrou tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o voo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas acções nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.
Affonso Sant'Anna
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