30/08/11

Inconfesso Desejo ...

Queria ter coragem
para falar deste segredo,
queria poder declarar ao mundo
Este amor.
Não me falta vontade
não me falta desejo
você é minha vontade
meu maior desejo.
Queria poder gritar
esta loucura saudável
que é estar em teus braços
perdido pelos teus beijos
sentindo-me louco de desejo.
Queria recitar versos
cantar aos quatros ventos
as palavras que brotam
você é a inspiração
minha motivação.
Queria falar dos sonhos
dizer os meus secretos desejos
que é largar tudo
para viver com você
este inconfesso desejo.

(Carlos Drummond de Andrade)






AMOR...



Amemos! Quero de amor
viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
que desmaia de paixão!

Na tu'alma, em teus encantos
e na tua palidez
e nos teus ardentes prantos
suspirar de languidez!

Quero em teus lábio beber
os teus amores do céu,
quero em teu seio morrer
no enlevo do seio teu!

Quero viver d'esperança,
quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
quero sonhar e dormir.
Vem, anjo, minha donzela,
minha'alma, meu coração!

Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração,
e entre os suspiros do vento
da noite ao mole frescor,
quero viver um momento,
morrer contigo de amor!

(Álvares de Azevedo)

29/08/11

Nós Estamos Num estado Comparável á Grécia...



Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.



Eça de Queirós,
( Palavras de um visionário )

Ondas de Solidão



Se possuísse uma canoa e um papagaio, podia considerar-me realmente como um Robinson Crusoé, desamparado na sua ilha. Há, é verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milhões de seres humanos. Mas, que é isso? As pessoas que nos não interessam e que se não interessam por nós, são apenas uma outra forma da paisagem, um mero arvoredo um pouco mais agitado. São, verdadeiramente como as ondas do mar, que crescem e morrem, sem que se tornem diferenciáveis uma das outras, sem que nenhuma atraia mais particularmente a nossa simpatia enquanto rola, sem que nenhuma, ao desaparecer, nos deixe uma mais especial recordação. Ora estas ondas, com o seu tumulto, não faltavam decerto em torno do rochedo de Robinson - e ele continua a ser, nos colégios e conventos, o modelo lamentável e clássico da solidão.



Eça de Queirós




28/08/11

Eça de Queirós




«Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: “o país está perdido!”
Algum opositor do actual governo?... Não!»

Deixo-vos com as palavras sábias e ainda actuais de Eça de Queirós que se aplica muito bem aos dias de hoje, e ao estado que se encontra o nosso país...







Memórias de Infância


As minhas férias de verão:

Aqueles magníficos  meses de verão, onde eu e os meus pais íamos acampar. Meu pai tinha uma enorme tenda familiar onde cabia o pessoal todo se fosse preciso,e lá iamos nós para uma fantástica mata na fonte-da-telha onde as pessoas podiam montar suas tendas e passar ali uns bons e agradáveis momentos de férias. Havia alturas em que os meus irmãos se juntavam para grandes almoçaradas. Praia, descanso, divertimento, umas sestas pelo meio, e assim passavamos um dia em beleza. Depois mais tarde, o meu  arranjou um casinha minúscula mesmo no centro da costa da caparica, onde aí fizemos mais umas temporadas de verão. Havias dias em que eu e os meus pais iamos de manhã cedo esperar os pescadores que vinham da pesca. Os barcos vinham cheios de bom peixe ainda a saltitar, as pessoas juntava-se todas á volta dos barcos para escolher o seu peixe, era uma alegria de ver, como também tinhamos o prazer de comer  peixe fresquinho quase todos os dias. E foi assim durante mais algum tempo as minhas férias de verão passadas com os meus pais na minha adolescência.

Nanda